08 maio 2008

No sufoco, mas garantido

Precisando vencer para avançar às quartas-de-final da Copa Libertadores, o São Paulo bateu o Nacional, do Uruguai, por 2-0, na noite desta quarta-feira, no Morumbi, e segue sua busca pelo quarto título no torneio continental.

Depois do empate em 0-0, há uma semana, o São Paulo precisava de um êxito em casa para prosseguir no campeonato. Um novo empate sem gols levaria a disputa para os pênaltis, e qualquer empate com gols e a vaga seria dos uruguaios.

Mas os tentos de Adriano e Dagoberto fizeram com que o time paulistano promovesse o primeiro confronto brasileiro nesta edição da competição. Na próxima quarta-feira, o São Paulo inicia sua série de dois jogos contra o Fluminense, com a primeira partida acontecendo no Morumbi.

Os dois gols também foram feitos de maneira rara pelo tricolor. Dos oito tentos anotados no torneio até agora, somente três foram marcados com os pés, dois deles na noite desta quarta-feira.

Com Hugo na vaga de Jorge Wagner, contundido, o São Paulo tinha tudo para ser um time mais agressivo. No entanto, o meia mostrava-se fora de ritmo, afinal, esta foi somente a sua terceira partida como titular da equipe na temporada. Mas o maior problema são-paulino na primeira etapa foi o lado esquerdo. Em vários momentos Richarlyson e Hugo bateram cabeça, a ponto de discutirem em campo quando o camisa 20 perdeu a bola próximo ao meia, gerando um contragolpe uruguaio.

As fortes emoções com os dois atletas pelo lado canhoto fez com que a torcida começasse a pedir por Júnior na lateral esquerda, pedido não atendido pelo técnico Muricy Ramalho, pelo menos na primeira etapa. Pelo lado do Nacional, o jogo com bolas alçadas na área, já conhecido da partida do Uruguai, continuou. Mas tanto pelo ar quanto pelo chão, o grandalhão Richard Morales não foi páreo para o zagueiro Alex Silva. E quando o Nacional se assanhava nas investidas contra a meta de Rogério Ceni, o São Paulo abriu o marcador.

Se Richarlyson não resolvia pela esquerda do campo, coube a Éder Luis servir, pelo setor direito, o atacante Adriano.O camisa 9 tricolor cruzou rasteiro, a zaga uruguaia falhou e Adriano empurrou a bola contra a meta de Viera : 1 a 0, resultado suficiente para classificar o time paulistano.

Logo no início da segunda etapa, o lateral-direito Cabarello foi expulso por cometer falta violenta e Richarlyson. Com um a mais em campo, o São Paulo passou a dominar os espaços e atacar com mais freqüência a meta de Viera. Foram várias as oportunidades desperdiçadas pelo sistema ofensivo são-paulino. Adriano, por exemplo, deu dois chutes que passaram longe da meta de Viera. Mas compensou mostrando disposição na marcação, principalmente na saída de bola do time adversário.

Hugo também foi outro que perdeu bela oportunidade de ampliar o marcador. Então, a elasticidade no placar ficou por conta de Dagoberto, nos minutos finais da partida. Aos 45 minutos, o atacante, que entrou na vaga de Éder Luis, arrancou pelo lado direito, se livrou dos zagueiros e fez 2-0, para alegria da torcida tricolor na fria noite no Morumbi.
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Ricardo Inocencio é colunista do Futebol e Etc., e pensa que São Paulo x Fluminense será um duelo muito interessante na próxima fase.

O peso da camisa

O Cruzeiro já venceu duas vezes a Taça Libertadores da América, já ganhou edições de torneios Sul-Americanos, como a extinta Supercopa e é muito respeitado no cenário continental.

Mas do outro lado do campo estava o Boca Juniors, uma equipe que já venceu 6 vezes a competição, sendo 4 delas nos últimos 8 anos (e um vice-campeonato). E essa equipe já havia vencido também a 1ª partida no temido estádio de La Bombonera por 2-1.

O gol marcado em Buenos Aires deu muita esperança para o torcedor celeste, porque uma vitória simples de 1-0 já garantiria o time nas quartas-de-final da competição, tanto é que o público pagante foi superior a 60.000 pessoas e o jogo foi disputado as 19:00 hs., um horário bem incomum.


Mas o que se viu em campo foi um Cruzeiro ansioso por marcar logo esse tal gol, atacando bastante mas sem muita objetividade e levantando muitas bolas na área sem direção.

O tempo passou e o Boca começou a se soltar mais em campo, levando um certo perigo numa jogada de Palacio que acabou chutando pra fora, mas aos 36 minutos ele não desperdiçou e depois de tabelar com Riquelme, fintou o zagueiro e botou no ângulo do goleiro Fábio. Boca 1-0.

Antes de chegar o intervalo, o Cruzeiro sofreu outro golpe. Palermo cabeceou pras redes uma bola cruzada da esquerda e praticamente selou a classificação argentina nesse lance.

No 2º tempo, o Cruzeiro reagiu aos 11 minutos, num lindo gol de Wagner, que acertou um voleio maravilhoso no ângulo, mas o time precisava marcar mais três e não sofrer nenhum. A torcida tentou ajudar, mas o ânimo já era reduzido e dentro de campo o Boca sabia neutralizar as jogadas, fazendo o tempo passar.

Com essa vitória fora de casa, o Boca demonstra uma vez mais a força da sua camisa, da sua tradição e se classifica para as quartas-de-final como favorito a mais uma decisão continental.
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Ricardo Inocencio é colunista do Futebol e Etc., e já vê o Boca nas semifinais da Libertadores, antes mesmo de jogar as quartas-de-fianl contra o Atlas, do México.

Qual é a graça dos estaduais ?

Esperei passar alguns dias das finais dos torneios regionais para escrever essa matéria com calma, sem o calor do momento e sem a emoção que sempre ataca os envolvidos nas finais.

A discussão já é antiga, mas é sempre bom a gente opinar, por isso eu acredito que o campeonato estadual não pude nunca terminar. Muitas pessoas querem regionalizar, como aconteceu em 2002 pela última vez, mas em qual outro torneio os rivais de velha data podem se pegar numa decisão ?? Campeonato por pontos corridos é bom, premia sempre a equipe mais regular, a que soma mais pontos, mas estadual (ou regional) tem sempre aquele gostinho caseiro, de ganhar daquele rival "a"' ou "b", além de sempre revelar bons valores para o esporte e trazer de volta o clima de final de campeonato, isso sem falar naqueles times surpresas que sempre aprontam e chegam onde ninguém esperava.

Em que outro torneio, por exemplo, o Cruzeiro meteria 5-0 no rival Atlético na 1ª partida da final do Campeonato Mineiro (e venceria também o jogo da volta por 1-0), ou então o Palmeiras faria os mesmos 5-0 na Ponte Preta numa decisão ?

O caso mais emblemático das decisões regionais em 2008, foi no Campeonato Gaúcho.
Juventude e Internacional chegaram às finais, e no jogo de ida em Caxias do Sul, o time da casa venceu com um gol aos 47 minutos do 2º tempo, após uma bobeira de Fernandão que perdeu uma bola na lateral do campo e proporcionou o ataque da equipe alvi-verde que culminou em gol.

Pois bem, vejam como o futebol é emocionante. Uma semana depois, jogo de volta, estádio do Beira-Rio lotado de colorados e só no 1º tempo o Inter já havia marcado 4-0 com dois gols do Fernandão, que na etapa final faria mais um e ainda veria o Inter fechar uma goleada sonora de 8-1, com direito a gol de pênalti do goleiro Clemer. Oito a um...numa final de campeonato, contra uma equipe que venceu as outras três partidas nesse ano, somando a 1ª fase e o 1º jogo da final.

Em São Paulo, o Palmeiras demoliu a Ponte Preta com duas vitórias. 1-0 em Campinas e 5-0 no Parque Antárctica, com golaço de Valdívia e três de Alex Mineiro que terminou o campeonato como artilheiro (15 gols). Depois de quase 12 anos o Verdão voltou a comemorar um título estadual.

No Rio de Janeiro, também não faltou emoção. Flamengo e Botafogo decidiram em duas partidas o campeão carioca, na primeira deu Mengão 1-0 e na partida de volta o Botafogo saiu na frente depois de um frangaço do goleiro Bruno, mas no 2º tempo Obina marcou duas vezes, Diego Tardelli fez o outro e com 3-1, de virada, o Mengão chegou ao seu 30º título estadual num Maracanã com mais de 80.000 pessoas.

Em Curitiba, o clássico Atlético x Coritiba decidiu mais uma vez o campeão paranaense. Jogando em casa na 1ª partida, o Coxa-Branca fez 2-0 e foi pra Arena da Baixada uma semana depois, podendo perder por até um gol de diferença. O Atlético fez 2-0 (que levaria o jogo para a prorrogação), mas o Coritiba diminuiu ainda no tempo normal e mesmo perdendo o jogo, saiu com o título nas mãos.

Depois da eliminação na Copa do Brasil, pelo Corinthians, o time do Goiás decidiu o torneio estadual contra a surpresa chamada Itumbiara, que tem PC Gusmão como treinador, Basílio (ex-Santos, Palmeiras) no ataque e Sérgio (ex-Palmeiras no gol). Jogando no interior o Itumbiara fez 1-0 no jogo de ida, e depois no Serra Dourada aplicou um 3-0 implacável (dois gols de Basílio) para detonar de vez uma crise no clube esmeraldino. O lateral-esquerdo Wellington Saci, do Itumbiara, foi eleito o melhor jogador do torneio, e é um dos reforços do Corinthians para a disputa da Série B do Brasileirão.

Pra finalizar, o Vitória foi o campeão baiano, e o Figueirense conquistou o campeonato de Santa Catarina após perder pro Criciúma por 3-1 no tempo normal, mas conseguir marcar um gol na prorrogação que lhe garantiu o título.

Campeonato estadual é muito bom, e eu gosto muito de ganhar.
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Ricardo Inocencio é colunista do Futebol e Etc., e não sabe o que é ganhar um estadual há 5 anos.

02 maio 2008

Festa na vila

O Santos venceu o Cúcuta Deportivo por 2-0 nesta quinta-feira, na Vila Belmiro, com gols de Lima e Molina, no jogo de ida das oitavas-de-final da Libertadores, e deu um passo importante rumo à próxima fase.
Destaque do rebaixado Juventus no Campeonato Paulista, o atacante Lima fez jus à aposta de Emerson Leão e cumpriu a promessa de marcar logo em sua estréia. Já Molina, de falta, marcou pela sexta vez na competição.

Após o treinador insistir na contratação de um centroavante, especificamente na chegada de um atleta "para resolver", colocou Lima para treinar, gostou e o escalou. E com apenas um treino, um jogo e um gol, o jogador garantiu a titularidade ao lado de Kléber Pereira. Agora, o Peixe vai à Colômbia na próxima quinta-feira (8) para tentar assegurar a classificação às quartas-de-final da competição continental. Para isso, pode perder por até um gol de diferença.

Em uma partida amplamente dominada pela equipe da casa no primeiro tempo, quando demonstrou aplicação tática para derrubar o sistema de marcação com duas linhas defensivas de quatro atletas, o Peixe conseguiu ampliar a sua soberania sobre o Cúcuta neste ano. Mesmo sofrendo pressão na etapa complementar ao deixar de lado o poder mostrado no meio de campo.
A equipe colombiana classificou-se na primeira posição do grupo 6, mas não venceu o Alvinegro em nenhum dos dois encontros. No primeiro, no estádio General Santander, as equipes empataram sem gols e, no jogo que levou o Santos às oitavas, o time da Vila fez 2-1 no litoral paulista.

Nesta noite Leão voltou a escalar Betão como lateral-direito, apostou em Fabão na zaga e também no sistema com Wesley solto entre o meio e o ataque, alimentando os homens de frente e compondo a marcação aos rivais. Foi assim que o Santos começou a envolver o Cúcuta e a criar oportunidades de gol. O placar foi aberto aos 18 minutos do primeiro tempo, quando Lima aproveitou cruzamento de Betão na segunda trave e, dentro da pequena área, só empurrou para as redes.

Até o intervalo, o Cúcuta não teve sequer uma oportunidade para incomodar Fábio Costa, que tornou-se mero espectador nos primeiros 45 minutos. A etapa complementar começou diferente, com os visitantes tentando pressionar o Peixe ao deixar o sistema prioritariamente defensivo apresentado no começo do jogo.

Aos 9 minutos, o árbitro mexicano Marco Rodríguez resolveu interromper o duelo em função da fumaça provocada pelos sinalizadores da torcida santista nas arquibancadas da Vila. O confronto foi retomado após cinco minutos, com mais pressão do time colombiano. O que obrigou Fábio Costa, aos 18 minutos, a fazer a sua primeira defesa importante no jogo. Aos 25, porém, Molina marcou de falta o segundo gol santista para definir a vantagem neste confronto de ida.

Daí pra frente foi só administrar a vantagem e terminar o feriado fazendo festa na Vila Belmiro.
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Ricardo Inocencio é colunista do Futebol e Etc., e acha que o Cúcuta não reverte a vantagem santista.

01 maio 2008

Saudade eterna

Há 14 anos numa curva de Ímola, o maior piloto brasileiro de automobilismo de todos os tempos deixava a vida para entrar na eternidade das lendas sagradas do esporte.

Não vou me estender nesse tema até porque é desnecessário, mas fica aqui a pequena homenagem a Ayrton Senna da Silva, que tive o prazer de ver em ação desde o começo até o fim de sua brilhante carreira.

Valeu Ayrton !!
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Ricardo Inocencio é colunista do Futebol e Etc., e chorou muito no dia da morte do tri-campeão mundial de Fórmula-1.