08 maio 2008

O peso da camisa

O Cruzeiro já venceu duas vezes a Taça Libertadores da América, já ganhou edições de torneios Sul-Americanos, como a extinta Supercopa e é muito respeitado no cenário continental.

Mas do outro lado do campo estava o Boca Juniors, uma equipe que já venceu 6 vezes a competição, sendo 4 delas nos últimos 8 anos (e um vice-campeonato). E essa equipe já havia vencido também a 1ª partida no temido estádio de La Bombonera por 2-1.

O gol marcado em Buenos Aires deu muita esperança para o torcedor celeste, porque uma vitória simples de 1-0 já garantiria o time nas quartas-de-final da competição, tanto é que o público pagante foi superior a 60.000 pessoas e o jogo foi disputado as 19:00 hs., um horário bem incomum.


Mas o que se viu em campo foi um Cruzeiro ansioso por marcar logo esse tal gol, atacando bastante mas sem muita objetividade e levantando muitas bolas na área sem direção.

O tempo passou e o Boca começou a se soltar mais em campo, levando um certo perigo numa jogada de Palacio que acabou chutando pra fora, mas aos 36 minutos ele não desperdiçou e depois de tabelar com Riquelme, fintou o zagueiro e botou no ângulo do goleiro Fábio. Boca 1-0.

Antes de chegar o intervalo, o Cruzeiro sofreu outro golpe. Palermo cabeceou pras redes uma bola cruzada da esquerda e praticamente selou a classificação argentina nesse lance.

No 2º tempo, o Cruzeiro reagiu aos 11 minutos, num lindo gol de Wagner, que acertou um voleio maravilhoso no ângulo, mas o time precisava marcar mais três e não sofrer nenhum. A torcida tentou ajudar, mas o ânimo já era reduzido e dentro de campo o Boca sabia neutralizar as jogadas, fazendo o tempo passar.

Com essa vitória fora de casa, o Boca demonstra uma vez mais a força da sua camisa, da sua tradição e se classifica para as quartas-de-final como favorito a mais uma decisão continental.
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Ricardo Inocencio é colunista do Futebol e Etc., e já vê o Boca nas semifinais da Libertadores, antes mesmo de jogar as quartas-de-fianl contra o Atlas, do México.

Qual é a graça dos estaduais ?

Esperei passar alguns dias das finais dos torneios regionais para escrever essa matéria com calma, sem o calor do momento e sem a emoção que sempre ataca os envolvidos nas finais.

A discussão já é antiga, mas é sempre bom a gente opinar, por isso eu acredito que o campeonato estadual não pude nunca terminar. Muitas pessoas querem regionalizar, como aconteceu em 2002 pela última vez, mas em qual outro torneio os rivais de velha data podem se pegar numa decisão ?? Campeonato por pontos corridos é bom, premia sempre a equipe mais regular, a que soma mais pontos, mas estadual (ou regional) tem sempre aquele gostinho caseiro, de ganhar daquele rival "a"' ou "b", além de sempre revelar bons valores para o esporte e trazer de volta o clima de final de campeonato, isso sem falar naqueles times surpresas que sempre aprontam e chegam onde ninguém esperava.

Em que outro torneio, por exemplo, o Cruzeiro meteria 5-0 no rival Atlético na 1ª partida da final do Campeonato Mineiro (e venceria também o jogo da volta por 1-0), ou então o Palmeiras faria os mesmos 5-0 na Ponte Preta numa decisão ?

O caso mais emblemático das decisões regionais em 2008, foi no Campeonato Gaúcho.
Juventude e Internacional chegaram às finais, e no jogo de ida em Caxias do Sul, o time da casa venceu com um gol aos 47 minutos do 2º tempo, após uma bobeira de Fernandão que perdeu uma bola na lateral do campo e proporcionou o ataque da equipe alvi-verde que culminou em gol.

Pois bem, vejam como o futebol é emocionante. Uma semana depois, jogo de volta, estádio do Beira-Rio lotado de colorados e só no 1º tempo o Inter já havia marcado 4-0 com dois gols do Fernandão, que na etapa final faria mais um e ainda veria o Inter fechar uma goleada sonora de 8-1, com direito a gol de pênalti do goleiro Clemer. Oito a um...numa final de campeonato, contra uma equipe que venceu as outras três partidas nesse ano, somando a 1ª fase e o 1º jogo da final.

Em São Paulo, o Palmeiras demoliu a Ponte Preta com duas vitórias. 1-0 em Campinas e 5-0 no Parque Antárctica, com golaço de Valdívia e três de Alex Mineiro que terminou o campeonato como artilheiro (15 gols). Depois de quase 12 anos o Verdão voltou a comemorar um título estadual.

No Rio de Janeiro, também não faltou emoção. Flamengo e Botafogo decidiram em duas partidas o campeão carioca, na primeira deu Mengão 1-0 e na partida de volta o Botafogo saiu na frente depois de um frangaço do goleiro Bruno, mas no 2º tempo Obina marcou duas vezes, Diego Tardelli fez o outro e com 3-1, de virada, o Mengão chegou ao seu 30º título estadual num Maracanã com mais de 80.000 pessoas.

Em Curitiba, o clássico Atlético x Coritiba decidiu mais uma vez o campeão paranaense. Jogando em casa na 1ª partida, o Coxa-Branca fez 2-0 e foi pra Arena da Baixada uma semana depois, podendo perder por até um gol de diferença. O Atlético fez 2-0 (que levaria o jogo para a prorrogação), mas o Coritiba diminuiu ainda no tempo normal e mesmo perdendo o jogo, saiu com o título nas mãos.

Depois da eliminação na Copa do Brasil, pelo Corinthians, o time do Goiás decidiu o torneio estadual contra a surpresa chamada Itumbiara, que tem PC Gusmão como treinador, Basílio (ex-Santos, Palmeiras) no ataque e Sérgio (ex-Palmeiras no gol). Jogando no interior o Itumbiara fez 1-0 no jogo de ida, e depois no Serra Dourada aplicou um 3-0 implacável (dois gols de Basílio) para detonar de vez uma crise no clube esmeraldino. O lateral-esquerdo Wellington Saci, do Itumbiara, foi eleito o melhor jogador do torneio, e é um dos reforços do Corinthians para a disputa da Série B do Brasileirão.

Pra finalizar, o Vitória foi o campeão baiano, e o Figueirense conquistou o campeonato de Santa Catarina após perder pro Criciúma por 3-1 no tempo normal, mas conseguir marcar um gol na prorrogação que lhe garantiu o título.

Campeonato estadual é muito bom, e eu gosto muito de ganhar.
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Ricardo Inocencio é colunista do Futebol e Etc., e não sabe o que é ganhar um estadual há 5 anos.

02 maio 2008

Festa na vila

O Santos venceu o Cúcuta Deportivo por 2-0 nesta quinta-feira, na Vila Belmiro, com gols de Lima e Molina, no jogo de ida das oitavas-de-final da Libertadores, e deu um passo importante rumo à próxima fase.
Destaque do rebaixado Juventus no Campeonato Paulista, o atacante Lima fez jus à aposta de Emerson Leão e cumpriu a promessa de marcar logo em sua estréia. Já Molina, de falta, marcou pela sexta vez na competição.

Após o treinador insistir na contratação de um centroavante, especificamente na chegada de um atleta "para resolver", colocou Lima para treinar, gostou e o escalou. E com apenas um treino, um jogo e um gol, o jogador garantiu a titularidade ao lado de Kléber Pereira. Agora, o Peixe vai à Colômbia na próxima quinta-feira (8) para tentar assegurar a classificação às quartas-de-final da competição continental. Para isso, pode perder por até um gol de diferença.

Em uma partida amplamente dominada pela equipe da casa no primeiro tempo, quando demonstrou aplicação tática para derrubar o sistema de marcação com duas linhas defensivas de quatro atletas, o Peixe conseguiu ampliar a sua soberania sobre o Cúcuta neste ano. Mesmo sofrendo pressão na etapa complementar ao deixar de lado o poder mostrado no meio de campo.
A equipe colombiana classificou-se na primeira posição do grupo 6, mas não venceu o Alvinegro em nenhum dos dois encontros. No primeiro, no estádio General Santander, as equipes empataram sem gols e, no jogo que levou o Santos às oitavas, o time da Vila fez 2-1 no litoral paulista.

Nesta noite Leão voltou a escalar Betão como lateral-direito, apostou em Fabão na zaga e também no sistema com Wesley solto entre o meio e o ataque, alimentando os homens de frente e compondo a marcação aos rivais. Foi assim que o Santos começou a envolver o Cúcuta e a criar oportunidades de gol. O placar foi aberto aos 18 minutos do primeiro tempo, quando Lima aproveitou cruzamento de Betão na segunda trave e, dentro da pequena área, só empurrou para as redes.

Até o intervalo, o Cúcuta não teve sequer uma oportunidade para incomodar Fábio Costa, que tornou-se mero espectador nos primeiros 45 minutos. A etapa complementar começou diferente, com os visitantes tentando pressionar o Peixe ao deixar o sistema prioritariamente defensivo apresentado no começo do jogo.

Aos 9 minutos, o árbitro mexicano Marco Rodríguez resolveu interromper o duelo em função da fumaça provocada pelos sinalizadores da torcida santista nas arquibancadas da Vila. O confronto foi retomado após cinco minutos, com mais pressão do time colombiano. O que obrigou Fábio Costa, aos 18 minutos, a fazer a sua primeira defesa importante no jogo. Aos 25, porém, Molina marcou de falta o segundo gol santista para definir a vantagem neste confronto de ida.

Daí pra frente foi só administrar a vantagem e terminar o feriado fazendo festa na Vila Belmiro.
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Ricardo Inocencio é colunista do Futebol e Etc., e acha que o Cúcuta não reverte a vantagem santista.

01 maio 2008

Saudade eterna

Há 14 anos numa curva de Ímola, o maior piloto brasileiro de automobilismo de todos os tempos deixava a vida para entrar na eternidade das lendas sagradas do esporte.

Não vou me estender nesse tema até porque é desnecessário, mas fica aqui a pequena homenagem a Ayrton Senna da Silva, que tive o prazer de ver em ação desde o começo até o fim de sua brilhante carreira.

Valeu Ayrton !!
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Ricardo Inocencio é colunista do Futebol e Etc., e chorou muito no dia da morte do tri-campeão mundial de Fórmula-1.

Massacre corinthiano

A torcida não entrou em campo, mas foi decisiva para o Corinthians nesta quarta-feira. Apoiado por mais de 50 mil pessoas em um cenário de decisão que tomou o Morumbi, a equipe alvinegra dividiu cada bola como se estivesse em uma final e com um ritmo impressionante no primeiro tempo, goleou o Goiás por 4-0 para se classificar às quartas-de-final da Copa do Brasil. Na ida, em Goiânia, havia perdido por 3-1.

O jogo não valeu um título, mas foi encarado como tal por torcida e jogadores. Já no aquecimento, Felipe pedia o apoio das arquibancadas. E era atendido. Em troca, o Corinthians sufocou o Goiás desde o início. Com 30 minutos de jogo, já goleava por 4-0. Diogo Rincón marcou os primeiros dois gols em jogadas parecidas, após rebotes em tentativas de Herrera. O argentino também deixou sua marca, fazendo o quarto gol e André Santos anotou o mais bonito dos gols ainda antes do intervalo. "Só temos que parabenizar todos os torcedores que estão aqui hoje. Sabíamos que seria um jogo muito difícil, mas jogar no Corinthians é isso, é garra e luta o tempo todo. Para quem duvidava, essa é mais uma prova da nossa força", comemorou o lateral-esquerdo.

Agora, o Corinthians pega na briga por uma vaga na semifinal o São Caetano, que passou pelo Atlético-GO. O primeiro duelo acontecerá na próxima terça-feira, no Morumbi, já que na quarta-feira o São Paulo atuará no Morumbi pela Libertadores. A segunda partida será realizada uma semana depois.

Precisando da vitória, Mano Menezes colocou o time no ataque. O treinador sacou um zagueiro e escalou Lulinha ao lado de Diogo Rincón. Mas não foi só a formação em campo que estava ofensiva. A postura do time foi a de agredir o Goiás desde o início, sufocando o adversário. E a pressão logo deu resultado.

Com cinco minutos de bola rolando, Herrera recebeu na entrada da área e bateu prensado por Harlei. Diogo Rincón, então, atirou-se no chão e conseguiu empurrar para o fundo das redes, abrindo o placar. Cheio de confiança e com o nome gritado pela torcida, a mesma que já pediu sua saída do clube, Lulinha também quase marcou. Diogo Rincón, inspirado, não ficou no quase e fez o segundo, novamente após dividida de Herrera, aos 16 minutos.

Os dois gols (que já bastavam para garantir a vaga) não fizeram o Corinthians diminuir o ritmo. Tanto que aos 23, André Santos invadiu a área em bela tabela, passou por Harlei e ampliou para 3-0 a diferença no placar em um belo gol, misturando raça e habilidade. Sete minutos depois, Herrera desta vez não só participou, como marcou o quarto gol, de cabeça, escorando cruzamento de André Santos.

No segundo tempo, o objetivo do Corinthians foi administrar a ampla vantagem no placar. Ainda assim, teve boas oportunidades com Diogo Rincón e André Santos. A torcida pôde vibrar também com os gols do Sport sobre o arqui-rival Palmeiras, eliminado ao perder por 4-1 em Recife. Na parte final do jogo, o Goiás sofreu outro golpe com a expulsão de Fabinho, que acertou uma cotovelada em Herrera.

Mas o golpe principal já estava aplicado no placar, e o Corinthians pôde comemorar a classificação com direito a gritos de "olé" de um público recorde neste ano em São Paulo : o maior registrado até então havia sido no clássico entre Corinthians e Palmeiras, com 48.930 pagantes, pelo Paulista.
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Ricardo Inocencio é colunista do Futebol e Etc., e chupou muita uva verde na noite de ontem, além de se sentir plenamente vingado pela derrota de Goiânia.